Em um debate com menos discussões pessoais e mais apresentação de propostas, Flávio Bolsonaro (PL) se saiu "levemente melhor" que Lula (PT), aponta o cientista político Murilo Aragão, que dirige a Arko Advice, consultoria política em Brasília (DF).
"Não foi uma vitória contundente", diz. "Flávio adotou como estratégia explorar o desgaste do governo Lula e conseguiu apresentar mais propostas para o futuro do que o adversário. Ele ainda usou boas frases de efeito, mas cometeu um erro ao dizer que Lula 'tira com nove dedos o dinheiro do seu bolso'", continua ele.
O petista, por sua vez, "defendeu seu legado, buscou comparar sua gestão à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tentou construir a narrativa de que Flávio 'não está preparado para o cargo' e 'mente'.
Segundo Aragão, a estratégia da campanha de Lula em apostar em programas sociais para pressionar Flávio não foi ruim, mas ele não conseguiu responder às perguntas do senador do PL sobre um governo que, na visão dele, sofre por causa da reprovação.
O Instituto Datafolha indicou, na quinta-feira (22/10) que o governo de Lula é reprovado por 48% da população. Na metade de outubro, essa taxa era de 50%. A pesquisa tinha margem de erro de dois pontos percentuais.
"O presidente teve dificuldade em formular uma agenda de futuro, por ter de defender um governo com saldo de popularidade negativo, o que traz problemas para o incumbente", explica Aragão.
"Como Flávio está em vantagem [nas pesquisas de intenção de voto], o debate foi melhor para ele", finaliza.