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Lula e Kirchner devem deixar de lado pedido de salvaguarda de Lavagna | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O encontro desta quarta-feira entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner em Puerto Iguazú deve deixar de lado discussões sobre a salvaguarda comercial que vinha sendo exigida pelo ex-ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna. O ex-ministro vinha insistindo, há cerca de um ano, que era preciso implementar a chamada Cláusula de Adaptação Competitiva (CAC) para limitar as exportações setoriais, sempre que elas estivessem prejudicando a produção similar do país vizinho. Sua idéia foi interpretada, pelas autoridades brasileiras, como tentativa de impor barreiras às vendas do Brasil para a Argentina. "Que eu saiba os acordos não incluem nada referente à questão comercial", disse José Eduardo Martins Felício, sub-secretário geral do Itamaraty para América do Sul, durante entrevista em Brasília. Por sua vez, o assessor especial do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, disse em Foz do Iguaçu que "se não há entendimento, esse assunto pode esperar para amadurecer e, talvez, ser levado para a reunião dos presidentes, no encontro do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, dia nove". "Ufa" A substituição de Lavagna pela economista Felisa Miceli, 48h antes do encontro entre os dois presidentes, causou alívio entre negociadores brasileiros. Na semana passada, Lavagna chegou a afirmar que o encontro entre Lula e Kirchner seria "meramente protocolar", caso essa medida não fosse incluída na lista de protocolos que deverão ser assinados. "A saída do ministro não interfere em nada na relação do Brasil e da Argentina. Aliás, talvez a partir de agora as coisas até melhorem ainda mais", disse Marco Aurélio Garcia. "Ufa, a saída dele nos deu até alívio. A pressão pela implementação desta medida, que não é nada fácil, estava forte demais", afirmou um negociador brasileiro. A previsão é que, durante o encontro desta quarta-feira, os dois presidentes assinem 24 protocolos, memorandos e acordos nas áreas de educação, imigração, energia elétrica e energia nuclear, entre outros. Prazo O embaixador Felício disse que a reforma ministerial argentina, que inclui também as pastas das Relações Exteriores, Defesa e Desenvolvimento Social, levou ao cancelamento da reunião marcada para discutir, nessa terça-feira, em Foz do Iguaçu, o destino do acordo automotivo. As discussões ocorrem contra o relógio, já que o acordo em vigor prevê estabelece livre comércio nesse setor a partir de janeiro de 2006. Mas, a pedido do governo argentino, as negociações foram retomadas para modificações nesse entendimento e postergação do seu início de validade. O embaixador Felício pediu compreensão para o fato de a nova ministra da Economia precisar de um prazo para "no mínimo ser informada a respeito do que está acontecendo", tanto nas discussões comerciais quanto no acordo automotivo. Dia da Amizade Nessa terça-feira, havia expectativa, na comitiva brasileira, de que os novos ministros argentinos - a nova ministra da Economia, além do novo ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana - participassem da reunião desta quarta-feira. Era prevista ainda a presença dos ministros brasileiros da Fazenda, Antonio Palocci, das Relações Exteriores, Celso Amorim, além da Cultura, Gilberto Gil, entre outros. Mas a lista completa ainda dependia da confirmação do lado argentino sobre os ministros que acompanhariam o presidente Kirchner. Lula e o colega argentino vão se encontrar às 10h30 na porta do hotel Casino, em Puerto Iguazú. O encontro vai durar apenas cinco horas e terminará com um almoço oferecido pela delegação argentina. O presidente Lula adiou a chegada desta terça para esta quarta-feira, pouco antes do encontro com Kirchner. Ele desembarca com sua comitiva em Foz do Iguaçu e atravessará a ponte para Porto Iguazú. A agenda do encontro inclui uma foto com os ex-presidentes Raul Alfonsín, da Argentina, e José Sarney. A data marcará o "dia da amizade", lembrando o dia em 1985 em que Alfonsín e Sarney se reuniram para dar o primeiro passo rumo à criação do Mercosul. |
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