Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
Debate da Globo: regras, horário e checagem do último embate entre Lula e Flávio

Crédito, EPA/Shutterstock; Reuters
- Author, Iara Diniz
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published
- Tempo de leitura: 6 min
O último debate presidencial de 2026 entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acontece na próxima sexta-feira (23/10). Promovido pela Globo, o encontro acontece a dois dias do segundo turno.
O petista aparece um ponto atrás de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil nesta quinta-feira (22/10).
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O confronto será transmitido ao vivo, direto do Rio de Janeiro, logo após o Jornal Nacional. O jornalista César Tralli será o mediador.
A BBC News Brasil fará a cobertura ao vivo do debate no site e nas redes sociais. A cobertura também acompanhará e contextualizará as principais informações e dados apresentados pelos candidatos. Após o encontro, serão produzidas análises em texto e vídeo, com destaque para os principais momentos e temas do debate.
Segundo a Globo, o debate terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três blocos são de temas determinados e um, de tema livre. A ordem das perguntas será definida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador.
A Globo também estabeleceu regras para a circulação dos candidatos pelo palco. Na Band, durante o debate anterior, Lula e Flávio puderam circular pelo estúdio e se aproximar um do outro, levando o senador posicionou atrás do presidente diversos momentos.
Além disso, o g1 fará a checagem de afirmações dos candidatos e vai publicar em seu site.
Confira a seguir que você precisa saber.
Qual horário do debate e onde assistir
O debate na Globo será transmitido logo após o Jornal Nacional, a partir das 21h20 (horário de Brasília).
O debate será transmitido ao vivo pelo G1, pela TV Globo e pela GloboNews. Também será possível acompanhar o encontro pelo Globoplay.
Após a transmissão, o debate ficará disponível na íntegra no Globoplay e no g1.
Na sequência, a jornalista Renata Lo Prete entra ao vivo com o Jornal da Globo para conversar com os candidatos e ouvir comentaristas políticos, que vão analisar o desempenho de cada um.
Por causa disso, a Globo não transmitirá a novela Quem Ama Cuida e nem o Globo Repórter.
Como será o debate
O debate terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três blocos são de temas determinados e um, de tema livre. A ordem das perguntas será definida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador.
- 1° bloco: serão realizadas seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional, de forma a aprofundar a exposição de propostas e programas de governo de cada um dos candidatos. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.
- 2° e 3° blocos: No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão entre os temas apresentados no telão para fazer as suas perguntas, mantendo a mesma dinâmica de tempo.
- 4° bloco: será de tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções.
Após o término do debate, os candidatos poderão participar de uma entrevista coletiva na sala de imprensa com duração de 10 minutos para cada um. A ordem foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos: Lula falará primeiro e depois Flávio Bolsonaro.
Candidatos poderão andar pelo palco?

Crédito, Reuters
Nos três primeiros blocos, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente. Enquanto isso, o oponente deve se manter em seu púlpito até chegar a sua vez de falar.
É uma dinâmica diferente da vista no debate da Band, em que Flávio Bolsonaro frequentemente se posicionou atrás de Lula enquanto o presidente falava, repetindo uma estratégia adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 2016, durante debate com Hilary Clinton.
No quarto bloco, contudo, os candidatos "poderão se movimentar livremente pelo seu lado do cenário", diz a Globo.
Como será a checagem de fatos?
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Fim da Promoção Agregador de pesquisas
A TV Globo informou que fará a verificação das declarações dos candidatos à Presidência no confronto.
A checagem, no entanto, não será feita ao vivo durante a transmissão do debate, mas sim publicada no portal g1 e nos sites dos jornais O Globo, Valor Econômico e Extra e da rádio CBN.
A emissora vinha sendo cobrada nas redes sociais e através de petições públicas para realizar a verificação em tempo real, após diversas informações equivocadas ou sem fonte terem passado batido pelos âncoras durante o debate da Band no domingo (18/10).
A verificação ao vivo é adotada, por exemplo, em debates nos Estados Unidos. Nesse modelo, os moderadores do debate são munidos de informações por profissionais de checagem durante a realização do evento, e intervêm quando necessário, indicando aos telespectadores quando um candidato é impreciso em sua fala, ou faz afirmações que carecem de fontes.
No debate da Globo, uma equipe de 30 jornalistas fará as checagens, que começarão a ser publicadas nos sites já durante o debate, e deverão seguir ao longo da madrugada.
Por que o debate é importante
Este será o último confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno. Os dois não se enfrentaram na primeira etapa da eleição e estiveram frente a frente apenas uma vez, no debate promovido pela Band no último domingo (18/10).
O encontro recebeu críticas por ter sido marcado por acusações e provocações, com pouco espaço para a apresentação de propostas. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil descreveram o embate como "caótico".
O debate desta sexta-feira, portanto, será uma nova oportunidade para os candidatos apresentarem suas propostas e contrastarem suas visões de país diante dos eleitores.
Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o encontro é relevante por colocar frente a frente dois projetos de país em uma disputa acirrada.
Flávio, candidato do PL, terminou o primeiro turno, em 4 de outubro, à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, cerca de 2,2 milhões de votos.
"Num confronto direto de ideias, projetos e visões de mundo, um ou outro candidato pode se sair melhor ou pior, e isso pode mobilizar votos provavelmente de indecisos ou até mesmo daqueles que deixaram de votar", afirma Prando.
Quais temas estão em jogo

Crédito, Jefferson Rudy/Agência Senado
O Bolsa Família deve estar entre os principais temas do último debate. O programa tem sido alvo de disputa entre as campanhas, com propostas diferentes para seu futuro.
Na segunda-feira (19/10), Daniella Marques, coordenadora econômica do plano de governo do senador, afirmou que um eventual governo dele pretende estabelecer uma regra de transição de dois anos para beneficiários que consigam emprego com carteira assinada ou abram o próprio negócio.
Na prática, a proposta permitiria que essas pessoas continuassem recebendo o Bolsa Família por até 24 meses mesmo depois de começarem a trabalhar formalmente ou empreender.
Ao fim desse período, o benefício seria encerrado, segundo Marques. Caso perdessem o emprego ou o negócio não desse certo durante a transição, os beneficiários poderiam retornar automaticamente ao programa.
A declaração passou a ser usada por aliados de Lula para criticar Flávio Bolsonaro, acusando o senador de querer acabar com o Bolsa Família em dois anos, o que ele nega.
A segurança pública e o combate ao crime organizado devem ocupar outro espaço importante no confronto.
Há meses, a violência aparece entre as principais preocupações dos eleitores nas pesquisas Genial/Quaest. Na avaliação de especialistas e adversários, o tema também representa um desafio para o governo Lula, que tem sido criticado pela atuação na área.
Flávio defende medidas de maior rigor penal, como classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas e ampliar vagas no sistema penitenciário. Lula, por sua vez, tem destacado a PEC da Segurança Pública, que amplia a coordenação federal no combate à criminalidade, mas ainda depende de aprovação do Congresso.
Na reta final da campanha, o presidente também afirmou ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, uma mudança em relação à posição tradicional do PT.
A exploração de terras raras e a relação com os Estados Unidos também podem voltar à discussão.
No debate da Band, Lula perguntou se Flávio pretendia entregar aos americanos a exploração desses minerais estratégicos, usados, por exemplo, na fabricação de baterias e componentes eletrônicos. O senador não respondeu diretamente à pergunta.
Os candidatos também divergiram sobre a aproximação com o governo de Donald Trump, em meio à deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos e às tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros.
Por fim, o caso do Banco Master e as relações de autoridades com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro podem voltar a ser explorados pelos candidatos.





















