Aliados de Flávio Bolsonaro defenderam nas redes sociais a possível saída do senador do Brasil e atribuíram a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a responsabilidade pela ida aos Estados Unidos.
O senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo) disse que havia conversado com Flávio no domingo à noite e que, na ocasião, o senador afirmou que ficaria no Brasil.
"Mas naquele momento a gente ainda não sabia da perseguição que estava sendo instaurada quando o ministro Alexandre de Moraes mandou apreender o passaporte dele", afirmou Dallagnol.
Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, também se manifestou. Inicialmente, o senador publicou no X uma mensagem em que questionava o pedido de apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro.
"Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição? O Brasil segue longe da normalidade institucional", escreveu.
Minutos depois, Moro editou a publicação para defender a possível saída do Brasil. "No contexto, Flávio deixar o país é compreensível."
A possibilidade de Flávio ter deixado o país também foi tratada por outros aliados como consequência de ações do ministro do STF. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), por exemplo, afirmou que o senador teria ido aos Estados Unidos “para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes”.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) também relacionou a suposta saída ao cenário político brasileiro. “Toda voz da oposição que se levante contra esse regime ditatorial tem que fugir do país”, escreveu.
Já Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou a segurança de opositores no Brasil: “Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?”
O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS), por sua vez, comparou o caso ao da líder opositora venezuelana María Corina Machado e afirmou que Flávio teria fugido para o exílio nos Estados Unidos. Marcon também alegou que Moraes poderia usar o senador para pressionar parlamentares a convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a não abrir um processo de impeachment contra o ministro.
Mais cedo, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse não saber se Flávio havia deixado o país, mas afirmou que, caso isso tivesse ocorrido, a decisão deveria ser compreendida. Ele também publicou uma mensagem de apoio à família do senador.