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Flávio Bolsonaro diz que vai "liderar oposição" e vai fazer ofensiva jurídica contra chapa Lula e Alckmin, que superou senador em 4,4 milhões de votos. PF requisita passaporte de filho de ex-presidente, que é alvo de investigações.
Por Iara Diniz, Marina Rossi, Vitor Tavares, Vinícius Mendes, Leandro Prazeres, Mariana Alvim, Thais Carrança, Shin Suzuki, Ian Alves e Rute Pina. Editado por Caio Quero, Flávia Marreiro, Felipe Corazza e Rafael Barifouse.
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Logo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25/10), Flávio Bolsonaro (PL) disse que ia pedir a anulação da eleição presidencial.
Ele atribuiu sua derrota a uma "canetada" do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação por duas horas. Nessa segunda-feira (26/10), porém, Flávio parece ter recuado do pedido de anulação do segundo turno, indicando que batalharia na verdade pela cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico.
As duas campanhas tinham pedido mais tempo de votação, e muitas urnas já estavam fechadas quando a decisão chegou às seções.
Cerca de 33,8 mil votos foram registrados entre 17h e 19h, segundo levantamento feito pelo repórter Luiz Fernando Toledo.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, criticou a decisão de Zanin, mas afirmou que "não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial".
Embora Trump não tenha declarado abertamente o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na eleição brasileira, o presidente americano foi derrotado com a vitória de Lula, avalia Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Instituto Peterson para Economia Internacional, sediado em Washington.
Para a analista, o republicano apostou que poderia influenciar eleições na região à distância. Isso funcionou em alguns países, afirma, mas “ele foi derrotado no caso brasileiro”.
A pesquisadora conversou com o repórter da BBC Luis Barrucho antes de Trump se manifestar sobre o resultado do pleito. Falando a jornalistas, o presidente americano disse na tarde desse segunda-feira que a eleição no Brasil “pareceu”ter sido “fraudada” por conta da prorrogação do horário de votação determinadapelo ministro do STF Cristiano Zanin.
“Eu gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, disse o republicano.
De Bolle acredita que as relações bilaterais permanecerão “muito tensas”, com o Brasil atuando como uma espécie de “resistência regional” a Trump, ao mesmo tempo em que mantém a diplomacia.
“A entrada facilitada que eles [americanos] queriam não terão”, afirma.
De Bolle diz que as eleições legislativas americanas do próximo mês podem aumentar a pressão sobre a Casa Branca. Acredita-se que os republicanos podem perder o controle da Câmara dos Representantes, enquanto o controle do Senado segue incerto. Democratas no Congresso já enviaram diversas cartas pedindo explicações sobre ações dos EUA na América Latina.
Se os democratas conquistarem o controle, ela afirma, “não será fácil para Trump continuar comprando brigas com o Brasil”.
Mas a pesquisadora acredita que Trump poderá eventualmente buscar aproximação com Lula porque enxerga o mundo dividido entre vencedores e derrotados.
“Lula é um vencedor e Flávio Bolsonaro é um derrotado”, afirma. Ela acrescenta que a vitória de Lula “foi uma vitória de virada”, construída com “manifestações nas ruas” e “mobilização popular”, algo que seria “tudo o que o Trump gosta”.
“Em algum momento, ele terá de iniciar uma conversa com Lula, e eu acho que vai fazê-lo.”
Sobre as relações com outras potências, ela acredita que o Brasil continuará seguindo uma política de “multilateralismo pragmático, que sempre caracterizou a política externa brasileira”, diversificando mercados para não ser “esmagado” entre os Estados Unidos e a China.
Ela prevê algum atrito com a Argentina de Javier Milei, cuja economia depende fortemente de dólares americanos, mas pouco conflito em outras frentes.
Ao defender sua soberania, diz ela, o Brasil pode aliviar a pressão sobre vizinhos de direita que dependem da China.
“O Brasil se colocando como uma espécie de resistência ajuda os demais", prevê.
O canal no WhatsApp "Exército do Lula" está sendo apontado por aliados do petista como um dos fatores que ajudou a realizar uma das "reviravoltas mais improváveis da política brasileira recente", diz reportagem publicada hoje pelo site da BBC News Brasil em inglês — referindo-se à vitória de Lula no segundo turno, após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro.
Outra reviravolta foi a ascensão da esquerda nas redes sociais, analisa o texto.
"Conservadores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro eram amplamente vistos como dominantes na mobilização política online, especialmente em plataformas como WhatsApp e Telegram", afirma a reportagem, escrita pelos repórteres da BBC News Brasil Julia Braun, Rute Pina e Luiz Fernando Toledo.
O papel do deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal com mais de 10 milhões de seguidores, é abordado.
"A tática funcionou, apesar da preocupação de alguns integrantes do Partido dos Trabalhadores de que o estilo, muitas vezes confrontador, de Janones nas redes sociais pudesse comprometer a imagem mais moderada que esperavam projetar para Lula", diz o texto.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu nesta segunda-feira (26/10) o resultado das eleições, em contraste com a posição inicial do senador.
Após a confirmação do resultado na noite de domingo (25/10), Flávio não reconheceu a vitória de Lula no segundo turno e disse que pediria para anular as eleições. Mas, em nota divulgada nessa segunda-feira, não mencionou mais o pedido de anulação, anunciando como novidade que pediria cassação da chapa de Lula.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio recebeu 48,21%.
Em nota assinada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o PL afirma que reconhece o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que "questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos".
"Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático. Seguiremos acompanhando os fatos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições", diz trecho da nota publicado na rede social.
A conta oficial de Lula no Instagram postou agora pouco uma foto do petista com as mãos dadas com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente presidentes do Senado e da Câmara.
Segundo levantamento feito pela cientista política Beatriz Rey, a bancada bolsonarista no Senado chegou a 44 dos 81 senadores.
O PL, partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro, terá uma bancada com 28 senadores — mais de um terço das cadeiras do Senado. Isso representando um potencial obstáculo para projetos que dependem de aprovação mais ampla, como mudanças à Constituição.
Para Lucas Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice, o cenário será desafiador na Câmara e beirando a incapacidade de se fazer política no Senado.
Haverá eleição para as presidências da Câmara e do Senado em fevereiro de 2027. Devido ao tamanho do PL no Senado, Davi Alcolumbre deve ter dificuldade de se reeleger, avalia Beatriz Rey. Já Hugo Motta tem uma perspectiva mais tranquila.
Através de uma nota, o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) afirmou hoje que pedirá a cassação da chapa de Lula (PT) devido a "abuso de poder econômico".
Em suas redes sociais, Flávio acusou Lula de "injetar quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil" e de fazer "difusão em massa de mentiras".
A nota de Flávio diz que ele será "líder da oposição" e agradece pelos quase 60 milhões de votos que recebeu. Também menciona a determinação da Polícia Federal para que ele entregue seu passaporte, o que disse que vai cumprir — mesmo afirmando que "nunca pensou em deixar o Brasil".
O site da BBC News em inglês publicou hoje uma reportagem em que destaca, no título, a "reviravolta dramática" na eleição que levou à vitória de Lula.
O texto explica que esta foi a primeira eleição desde a redemocratização em que um candidato que perdeu no primeiro turno venceu no segundo.
As acusações por parte de Flávio Bolsonaro (PL), que foi derrotado, de que houve prejuízo às eleições devido à decisão "sem precedentes" do STF de prorrogar o horário de votação é mencionada.
Mas, segundo as jornalistas Ione Wells e Hafsa Khalil, será difícil questionar o resultado devido à vantagem de Lula em votos.
"A enorme diferença entre a contagem de votos dos dois candidatos — 4,4 milhões de votos — torna o resultado mais difícil de contestar", diz o texto.
Um diplomata ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado disse que, apesar das críticas feitas por Trump às eleições brasileiras, a expectativa é de que não haja mudanças significativas na relação entre os dois países.
Segundo ele, o tom de Trump ao comentar o assunto indicaria que o presidente norte-americano não deverá tomar nenhuma ação a respeito, pelo menos no curto prazo.
Ao longo desta segunda-feira, outro diplomata ouvido pela BBC News Brasil minimizou a falta de uma mensagem de reconhecimento do governo norte-americano em relação às eleições no Brasil até o momento.
Segundo ele, com ou sem reconhecimento, os canais diplomáticos entre os dois países continuam ativos. De acordo com o diplomata, apesar do peso simbólico de uma mensagem de reconhecimento do resultado eleitoral, do ponto de vista prático, não haveria problemas em não haver uma mensagem de Trump sobre o assunto.
Uma das provas de que a relação entre os dois países está mantida é a viagem, na próxima semana, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à cúpula de chanceleres do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo) que será realizada nos Estados Unidos.
Nos bastidores, assessores do presidente Lula já trabalhavam com a perspectiva de que o governo norte-americano pudesse demorar para reconhecer o resultado das eleições ou até mesmo não fazê-lo caso Lula vencesse. Segundo esses assessores, um eventual não reconhecimento do resultado seria resultado da ação de uma ala mais radical dentro do Departamento de Estado com vínculos com a família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal para que entregue seus passaportes. Em um vídeo em suas redes sociais, ele disse ter sido abordado no meio da rua, após deixar o condomínio onde mora em Brasília, e estava a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição", disse ele no vídeo.
Flávio é investigado em dois inquéritos no STF. Em um deles, o senador é investigado, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas.
No outro, é investigado pelo financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista na semana passada, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país.
Mas no vídeo, Flávio afirma que nunca disse que deixaria o país. "Eu nunca pensei em sair do país", disse.
Em entrevista a jornalistas na tarde de hoje, Trump afirmou que a eleição no Brasil "pareceu ter fraude", "pareceu terrível" e “foi muito estranha” por conta da extensão de horário de votação determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin.
"Eu não escolhi um lado, mas, francamente, pareceu mais uma eleição com fraude."
“Eu gosto do Lula. Tenho uma relação muito boa com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, comentou Trump ao ser perguntado por repórteres sobre a eleição brasileira.
Após uma ação da campanha petista pedindo extensão do horário da votação devido a relatos de problemas no transporte público de algumas cidades, Zanin estendeu o horário de votação de 17h para 19h.
Segundo mostrou a BBC News Brasil, a vitória de Lula foi resultado de uma combinação de dados como redução na abstenção, de votos brancos e nulos e da transferência de votos pró-Lula.
Para você que está chegando agora, um resumo do que aconteceu hoje no noticiário do dia seguinte após o segundo turno:
Apesar da surpreendente vitória de Lula no segundo turno, o presidente reeleito deverá ter ainda mais dificuldades no novo mandato na relação com o Legislativo, segundo a cientista política e pesquisadora Beatriz Rey.
Assista no vídeo.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, postou uma foto no Instagram com Lula em Brasília para celebrar a vitória do presidente brasileiro.
"Parabéns ao meu querido amigo, o presidente Lula, por sua expressiva vitória na reeleição", escreveu Modi.
No X, o líder indiano declarou que espera "trabalhar em estreita colaboração" com Lula para aprofundar a pareceira entre Índia e Brasil.
"Juntos, continuaremos a fortalecer nossa cooperação em diversos setores, promover as prioridades compartilhadas do Sul Global e trabalhar em prol de um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável", declarou.
No Reino Unido, as felicitações a Lula vieram do ministro das Relações Exteriores, Ed Miliband.
Membro do governo trabalhista de Andy Burnham, ele declarou que os governos britânico e brasileiro "têm promovido valores compartilhados de democracia, justiça social e ação climática desde 2024". " Esperamos continuar fazendo isso".
Para Miliband, a vitória de Lula "é uma conquista histórica para o movimento progressista global'.
O bilionário Elon Musk, dono do X (ex-Twitter) e de empresas como a Tesla, e grande apoiador de Donald Trump, contestou o resultado das urnas no Brasil.
No X, ele republicou uma conta que mostrava quantos votos cada candidato ganhou no primeiro e no segundo turno e escreveu: "a conta não fecha".
A publicação repostada por ele dizia:
"1º turno: Bolsonaro: 56,1 milhões de votos; Lula: 53,9 milhões de votos 2º turno: Lula: 64,1 milhões de votos (+10,2 mi) Bolsonaro: 59,8 milhões de votos (+3,7 mi) Para se ter uma ideia de quão improvável isso é: todos os candidatos eliminados no 1º turno somaram, juntos, 9,33 milhões de votos."
Mas não falava sobre a transferência de votos nem a redução das abstenções.
A apuração dos resultados do segundo turno de 2026 teve duas "viradas".
A contagem dos votos começou com Lula à frente. Flávio Bolsonaro ultrapassou o candidato do PT logo antes dos 14% das urnas apuradas. Depois Lula virou, com quase 50% das urnas apuradas, e se manteve à frente até a conclusão da apuração.
No segundo turno da eleção de 2022 só houve um ponto de virada, com 67,6% das urnas apuradas. Na ocasião, Lula ultrapassou Jair Bolsonaro, o então presidente. A partir daquele momento, Lula se manteve à frente até o fim da apuração.
Após a vitória de Lula no último domingo (25), líderes de diferentes países, como Rússia, China, Japão, França e México, parabenizaram o presidente brasileiro pela reeleição e defenderam o fortalecimento das relações com o Brasil.
O presidente russo, Vladimir Putin, elogiou a liderança de Lula e a parceria estratégica entre os dois países. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil, enquanto a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, defendeu o aprofundamento da cooperação bilateral.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, ainda não se manifestou publicamente sobre o resultado, assim como o presidente argentino, Javier Milei.
Confira na reportagem da BBC News Brasil as reações internacionais à reeleição de Lula.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte turbulência no mercado financeiro nesta segunda-feira (26/10), com disparada do dólar e queda acentuada da bolsa brasileira.
Diante do movimento, a B3 acionou o "circuit breaker", mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. A suspensão ocorreu logo no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos.
Após voltar da primeira interrupção, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3, recuava 16,6% às 10h5.
Nos primeiros minutos de negócios da bolsa nesta manhã, o dólar chegou a ser cotado no comercial para venda a R$ 5,604, variação de 12,3% ante o fechamento de sexta-feira (23).